Sexta-feira, 25.06.10

Jornal i e Agência Lusa

Cientistas procuram "alargar" mar português descobrindo novas espécies nas ilhas Selvagens

por Agência Lusa, Publicado em 25 de Junho de 2010 
Ilhas Selvagens - Madeira
Ilhas Selvagens - Madeira
No sítio mais ao Sul de Portugal, as ilhas Selvagenscientistas portugueses eestrangeiros, apoiados pela Marinha, procuram descobrir os segredos da fauna, flora e geologia marítimas, num esforço para conseguir aumentar o mar português.
expedição da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental(EMEPC) está junto à reserva natural das Ilhas Selvagens, na Região Autónoma da Madeira, desde 10 de Junho e já recolheu cerca de 500 espécies, algumas das quais nunca antes descobertas.
O objetivo é dar a Portugal argumentos para conseguir a extensão da sua plataforma continental para além das 200 milhas náuticas e para candidatar as Selvagens a património natural da Humanidade.
Em visita à expedição, o secretário de Estado da Defesa Nacional e Assuntos do Mar,Marcos Perestrello, afirmou aos jornalistas que se trata de um “projeto importante” para “aprofundar o conhecimento que temos dos nossos recursos marinhos e demonstrar a capacidade de nos responsabilizarmos pela gestão de uma plataforma continental estendida”.
“É este conhecimento que nos permitirá saber o tipo de aproveitamento que podemos tirar da tecnologia, as potencialidades na produção de cosméticos ou produtos médicos efarmacêuticos, que nos permite saber que tipo de energias podemos retirar dos nossos mares, eólicas, ondas, e eventualmente energias convencionais que existam na área sob nossa jurisdição”.
Composta por uma equipa de cerca de 200 pessoas, a expedição está fundeada junto à ilha Selvagem Grande e distribui-se pelo navio de treino de mar Creoula, o navio hidrográfico Gago Coutinho, o balizador Schultz Xavier e a caravela Vera Cruz.
A bordo do Creoula, os biólogos analisam as amostras de animais, plantas e água recolhidas em seis rondas de mergulho diárias.
Vividos com entusiasmo pelos cientistas, os mergulhos colocam-nos frente a frente com esponjas, jardins de coral, peixes de águas frias e de águas quentes e, num dos momentos mais emocionantes desde que a expedição chegou às selvagens, até um tubarão martelo.
Cerca de cinquenta espécies foram já identificadas, de um total de 500 amostras, duzentas das quais através do robô subaquático do Gago Coutinho, que apesar de uma avaria, já mostrou assim o seu valor.
O aparelho, que fornece imagens em alta definição do fundo do mar e permite a recolha de amostras a centenas de metros de profundidade, teve uma avaria num cabo de fibra ótica que o liga ao navio e acabou por ficar parado no fundo do mar.
A solução, que já vem a caminho desde a Noruega, é um aparelho semelhante que permita resgatar o “Luso” e permitir voltar ao trabalho.
Para além da extensão da plataforma continental, o levantamento das espécies nas águas das Selvagens visa sustentar a candidatura da área a património natural da Humanidade.
O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, afirmou que a reserva natural das ilhas, criada em 1971, dá exemplos de “um trabalho muito notável a nível nacional e mesmo mundial” na preservação da biodiversidade, como mostra a campanha bem sucedida de erradicação de pragasde ratos e coelhos.
Até ao fim do mês, a equipa vai continuar a passar os dias nas águas límpidas do Atlântico, partilhando o dia a dia com as criaturas do fundo do mar e as cagarras, as aves marinhas que povoam a Selvagem Grande.
publicado por Pedro Quartin Graça às 19:23 | link do post | comentar
Quinta-feira, 24.06.10

Portal Ambiente


ROV Luso no fundo do mar

2010-06-24
 
Parece cliché, mas a verdade é que, também no meio científico, a tecnologia nos prega partidas. Depois de alguns mergulhos de teste para afinar o ROV Luso, tudo parecia ir bem.  A equipa é grande e é liderada por um escocês, perito na tecnologia dos ROV, um aparelho extremamente sensível e caro e que necessita de muitas horas de dedicação.
Primeiro, há que ligar os estabilizadores do NRP Gago Coutinho. Depois, começa a operação de mergulho do ROV Luso, que precisa de cerca de oito pessoas para conseguir levar a cabo a operação. De câmara de alta definição ligada, o aparelho mergulha na água e começa o seu demorado percurso até ao fundo.
Cada mergulho de ROV demora pelo menos cinco horas, já que o aparelho desce a uma velocidade de 10 metros por minuto. O objectivo, no mar das Selvagens, é recolher imagens até aos 2 000 metros de profundidade, mas este que foi o primeiro mergulho «a sério», só chegou aos 300 metros.
Lá em cima, estão dois investigadores que identificam o que aparece na imagem do ROV: um pertence ao Centro de Ciência do Mar (CCMar) e outro à Universidade da Madeira. Juntos, identificam as amostras e pedem aos operadores do aparelho que as tentem recolher, tarefa que nem sempre é fácil devido às características do fundo e à intensidade da corrente.
O ROV Luso viu esponjas, corais e duas espécies de peixe e recolheu alguns exemplares. A próxima tarefa dos investigadores passa por tirar as amostras que o aparelho recolheu e catalogá-las. Com a ajuda de uma máquina fotográfica, de um microscópio e de pinças, as amostras vão sendo separadas. No final, todas serão distribuídas por centros de investigação que irão trabalhar em parceria com a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC).
Mas, durante a subida do aparelho, o impensável aconteceu. Ocabo que o ligava ao navio Gago Coutinho partiu-se e o ROV está agora no fundo do mar a mais de 600 metros de profundidade. As operações de resgate do aparelho devem começar apenas no dia 3 de Julho, afirma a EMEPC, mas adivinha-se uma tarefa difícil.



Autor / Fonte
Diana Catarino
publicado por Pedro Quartin Graça às 19:48 | link do post | comentar

Planeta Azul online


23/06/2010
As Selvagens pelo olhar de Pedro Quartin Graça
Diana Catarino
Antes de embarcar na expedição às Ilhas Selvagens, a jornalista Diana Catarino falou com Pedro Quartin Graça, responsável por um blogue sobre as ilhas e um dos autores que vai participar na publicação de um livro, previsto para 2011. Recordamos aqui a conversa.
A curiosidade pelas Selvagens aguçou o apetite de Pedro Quartin Graça, dirigente do Movimento Partido da Terra (MPT) e foi o ponto de partida para um blogue sobre as ilhas.

No Verão de 2008, o então deputado zarpou do Funchal numa viagem de 11 horas rumo à Selvagem Grande e apesar de a estadia relâmpago ter durado apenas um dia, conseguiu ver o que muitos não conseguem em alguns anos. “Quando voltei, senti uma grande alegria. É a zona mais desconhecida de Portugal, tem uma água, flora e fauna fantásticas”, assinala.

A partir daí, o blogue tem entradas frequentes sobre as ilhas, tendo-se convertido em um dos blogues no top 50 do Networking Blogs do Facebook e sendo entretanto aceite na rede internacional da Global Islands Network.

A ferramenta vai ainda servir para publicar a tese de doutoramento que Pedro Quartin Graça conta terminar no final do ano, dedicada ao regime jurídico das Selvagens. “As Selvagens são ilhas, não são rochedo, e por isso têm de ter tudo a que as ilhas têm direito, nomeadamente à sua Zona Económica Exclusiva (ZEE) . São território soberano português”, conclui.

E se a maioria dos continentais não sabe sequer que as Selvagens existem, os madeirenses também não conhecem o património, incluído na Reserva Natural da Madeira e pouco acessível a quem não esteja ligado à investigação científica. Também por isso, diz o autor, o blogue serve como uma espécie de cartão de visita, seja do ponto de vista político, científico ou técnico. Portugueses, espanhóis e brasileiros são os leitores mais assíduos do ilhasselvagens.blogspot.com, mas há curiosos de 70 países que já espreitaram as Selvagens através do olhar de Pedro Quartin Graça.

Dois anos depois de ir às ilhas, o autor do blogue garante que irá voltar às Selvagens, até porque faz parte do leque de autores que se juntam para escrever um livro sobre as ilhas, cuja publicação está prevista para o ano que vem.
publicado por Pedro Quartin Graça às 19:47 | link do post | comentar

Contratempo na expedição


Aparelho encontra-se a 615 metros de profundidade

Robô submarino Luso afunda-se ao largo da Selvagem Grande

24.06.2010 - 12:57 Por Teresa Firmino, na Selvagem Grande, com Sérgio B. Gomes

O robô submarino Luso afundou-se ontem à noite ao largo da Selvagem Grande, ilha do arquipélago da Madeira, quando se separou do cabo que o ligava ao navio “Almirante Gago Coutinho”.
O Luso encontra-se agora a 615 metros de profundidade. As operações de recuperação do aparelho – que custou três milhões de euros e que pode mergulhar até 6 mil metros de profundidade – devem começar no dia 3 de Julho quando chegar ao local um outro submarino comandado à distância vindo da Noruega.

Quando o acidente aconteceu, a tripulação estava “na fase de recuperação do ROV [veículo operado remotamente, na sigla em inglês], que se encontrava a 130 metros de profundidade", depois de terem sido feitas colheitas de água para análise, explicou Manuel Pinto de Abreu, responsável pela Missão para a Extensão da Plataforma Continental. "Ao reiniciarmos a subida ficamos sem comunicações e o ROV foi para o fundo. O cabo separou-se, mas só ficaremos a saber o que realmente aconteceu quando o ROV norueguês chegar”, disse o mesmo responsável. 

Pinto de Abreu classifica a operação de resgate como um “grande desafio” tendo em conta a grande profundidade e facto de o aparelho norueguês ser também comandado à distância.

O Luso estava nas ilhas selvagens do arquipélago da Madeira integrado numa expedição para inventariar a biodiversidade marinha da região. Os secretários de Estado da Defesa e do Ambiente, Marques Perestrelo e Humberto Rosa, respectivamente, chegam ao local ao início da tarde, uma visita que já estava agendada antes do acidente.

O que é o Luso?

O nome comercial do Luso é Argus Bathysaurus XL, que é a junção do nome em latim do peixe-lagarto de ambientes profundos, versão XL – para grandes profundidades.

O Luso tem dois metros de comprimento, 1,70 de largura e 1,80 de altura. Pesa duas toneladas e consegue ir até aos seis mil metros de profundidade, o que permite alcançar 97 por cento do fundo oceânico mundial.

Foi adquirido em 2008 pela Estrutura de Missão e Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) – um grupo científico que estava na dependência do ministro da Defesa, incumbido de provar que a parte continental do território português se prolonga para além das 200 milhas náuticas da zona económica exclusiva.

O veículo custou três milhões de euros. Na altura foi uma escolha entre um aluguer diário de 100 mil euros e a compra. Tomou-se a segunda opção porque a EMEPC calculou que o Luso iria ser necessário pelo menos durante 45 dias. Para além deste objectivo, o ROV foi, sempre que possível, disponibilizado para outras missões científicas.

O ROV cabe num camião, o que permite ser transportado e utilizado por qualquer navio. Não é tripulado, está ligado por um cordão umbilical a um navio de onde é comando à distância. É por aqui que se acede em tempo real à informação recolhida.

O veículo tem uma câmara digital de alta definição, sonar, luzes com alcance de 20 a 30 metros, dois braços manipuladores em titânio para cargas até 100 quilos, garrafas para amostras de água, aparelho de medição da condutividade, temperatura e profundidade, medidor das correntes; aspirador biológico, cesto para recolha de rochas, testemunhos cilíndricos para amostras geológicas, e um sniffer, um nariz que cheira metano na água (indício da presença de fontes hidrotermais ou de depósitos destes hidrocarbonetos).
publicado por Pedro Quartin Graça às 17:12 | link do post | comentar
Segunda-feira, 21.06.10

A SIC nas Ilhas Selvagens

sereia
SIC
20-06-2010 

"Experiências de sereia"

Catarina NevesJornalista

MISSÃO NAS ILHAS SELVAGENS

SIC acompanha grupo de cientistas durante 20 dias

Navegar num navio militar em alto mar não é para todos. Requer conhecimento da disciplina, cumprimento das normas, tolerância em relação ao outro, resistência ao enjoo e respeito das regras que o mar impõe. 

O navio da República Portuguesa Almirante Gago Coutinho tem cerca de 68 metros de comprimento. Tem autonomia de combustível para 84 dias a navegar a 10 nós, ou seja, a menos de 20 km/h, a velocidade máxima que pode atingir.Transporta comida para alimentar 35 elementos ao longo de 30 dias. Tem quatro geradores que geram energia dia e noite. E tem capacidade de produzir, por dia, 20 mil litros de água doce. Pode ser bebida, mas todos preferem água engarrafada. Aliás, um dos pedidos que é feito aos civis logo no início é que tenham alguma contenção no uso da água canalizada, de modo a evitar cortes no abastecimento. 

A orientação dentro do navio, para quem chega pela primeira vez, não é fácil. Os corredores e as portas parecem todos iguais. Aos poucos cada um começa a usar o que consegue como referência. Um papel cor-de-laranja está na porta que abre para umas escadas que dão acesso ao piso superior. Decorar isso pode ser uma ajuda para chegar ao camarote. Leram bem, camarote. Aqui não há quartos, há camarotes. Os dos praças, os dos sargentos e os dos oficiais. De baixo para cima. Só o cientista chefe e seis oficiais têm direito a cama individual. Todos os outros dormem em beliches de duas camas. E, acreditem, subir e descer do beliche é tarefa que requer alguma perícia, força de braços e coragem. 


O navio “Almirante Gago Coutinho” foi construído nos Estados Unidos da América e foi lançado à água em Janeiro de 1985, com outro nome (USNS - United States Navy Ship - “Assurance”). 

“Construído como navio de vigilância e detecção submarina, enquanto esteve ao serviço da Marinha americana, tinha por principal tarefa a recolha de informação acústica em áreas oceânicas localizadas nas rotas dos submarinos da frota soviética, utilizando um sistema de hidrofones rebocados”, lê-se num “folheto de integração” escrito pelo actual comandante, o Capitão‐de‐fragata EH Luís Miguel Bessa Pacheco. Desactivado em 1995, o navio foi transferido para a Marinha Portuguesa em 30 de Setembro de 1999. Voltou à actividade operacional em 2007, já como hidrográfico. Esta alteração determina a história presente da embarcação. É, da Marinha portuguesa, aquela que mais navega (à excepção da Sagres). Está sempre a ser requisitada para missões científicas, como aquela que decorre nas Selvagens até ao final do mês de Junho, organizada pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental. 

O homem que inventou o sextante 

Carlos Viegas Gago Coutinho (1869/1959) foi oficial da Marinha, navegador, historiador e geógrafo. Ao serviço da Marinha Portuguesa, percorreu os quatro cantos do mundo. Produziu uma vasta obra de investigação científica. Publicou trabalhos geográficos e históricos , principalmente acerca das navegações portuguesas. Fez a travessia da África. Juntou-se a Sacadura Cabral e, em 1921, participou na atravessia aérea Lisboa‐Funchal e ainda, em 1922, a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, durante a qual se fez navegação aérea com grande rigor, utilizando o sextante. Um instrumento de navegação que Gago Coutinho inventou. 

Normas a bordo 

Resultam, sobretudo, da experiência e são fundamentais para evitar desastres irreparáveis. 

Muitos marinheiros fumam, mas apenas o podem fazer no exterior do navio e não em todos os espaços e em todos os momentos. 

Por razões de segurança pessoal, só se pode circular a bordo com calçado robusto. Nada de chinelos ou “havaianas”. O navio está cheio de escadas e, por vezes, há água e óleos no chão o que ajuda a escorregar. É preciso proteger o pé também de um eventual aquecimento do chão em caso de incêndio. 

O navio tem uma pequena loja, que aqui se chama cantina, que abre mais ou menos uma hora por dia. O tabaco aqui é muito mais barato, mas só o pessoal da Marinha é que o pode comprar. Não podem ser passadas facturas de quaisquer despesas feitas a bordo. 

A lista de curiosidades, aparentemente simples, continua. Aos poucos começamos a estar familiarizados com este mundo. E até expressões como “experiências de sereia” passam a fazer sentido, mesmo quando só querem dizer: sinais sonoros que dão a outras embarcações indicações de manobras com o navio. E nem sequer sabemos se ainda há sereias no mar...

publicado por Pedro Quartin Graça às 13:33 | link do post | comentar
Domingo, 20.06.10

As Ilhas Selvagens: verdadeiras ilhas e não "rochedos"

Com um tamanho superior a dois Estados europeus, o Vaticano (44 hectares) e Mónaco (195 hectares), as Ilhas Selvagens de Portugal são efectivamente aquilo que o seu próprio nome indica: ilhas. Alguns, com objectivos meramente económicos e geo - estratégicos, insistem em chamar-lhes "rochedos" para, dessa forma, advogar que as mesmas não têm direito a Zona Económica Exclusiva. Invocam estes que as mesmas se encontram desabitadas porque não possuem condições para que os homens lá vivam.
Esquecem-se porém que se a população residente das Selvagens é baixa em densidade, é-o por escolha deliberada de Portugal já que as mesmas são parte integrante de uma Reserva Natural e um importante local de preservação de variadas espécies da fauna e da flora.
Contrariamente às muitas mentiras que se podem ler na Internet, as Ilhas Selvagens são todavia habitadas. Em permanência na Selvagem Grande durante todos o ano pelos guardas-vigilantes da natureza. Frequentemente pela família Zino, proprietária de uma casa na Selvagem Grande. Em regime semi-permante na Selvagem Pequena. No fundo, tudo aquilo que se escreve no sentido de tentar menoscabar a importância das ilhas tem como objectivo desacreditar a importância que as mesmas têm para Portugal e para os Portugueses.
publicado por Pedro Quartin Graça às 11:23 | link do post | comentar
Sábado, 19.06.10

A SIC nas Ilhas Selvagens

parque
SIC

19-06-2010 

Sozinhos na ilha

Catarina NevesJornalista

MISSÃO NAS ILHAS SELVAGENS

SIC acompanha grupo de cientistas durante 20 dias

Estão sempre dois. Dois vigilantes numa ilha do tamanho de 20 campos de futebol. A Selvagem Pequena só é habitada no Verão. No Inverno não se consegue desembarcar numa das duas ilhas oceânicas mais a Sul de Portugal.

Sandro Correia e Ricardo Cabral são vigilantes do Parque Natural da Madeira. Fizeram o curso juntos. Nove anos depois voltam a encontrar-se no trabalho e isso deixa-os muito satisfeitos.

Sandro Correia tem 32 anos. Há quem lhe chame o Chuck Norris das Selvagens. Os olhos azuis escondem um homem reservado, de poucas falas, mas pronto a disparar sorrisos com a suavidade que o isolamento desejado adocica. Sandro gosta de estar três semanas sem telemóvel, sem internet, sem jornais, fechado na ilha. A televisão liga-os ao mundo. O botão "on/off" do aparelho tem aqui uma importância diferente. Tudo é diferente aqui.

As comunicações fazem-se via rádio com a Selvagem Grande. Caso falhe e os vigilantes estejam com problemas, o farol do Pico do Veado é tapado (trata-se do ponto mais alto da ilha, com 49 metros de altitude). Será a última tentativa de enviar um SOS.

Água canalizada potável não há. Casa de banho também não. A electricidade é produzida por painéis solares. O lixo é levado pelo barco patrulha. E até a barba é feita num espelho redondo e partido colocado numa das paredes de madeira da única infra-estrutura que existe na Selvagem Pequena: a casa dos vigilantes. 

É impossível não querer espreitar. Duas camas individuais encostadas à parede. Uma cozinha pequena. Um balcão. Algumas prateleiras. Loiças e tachos à vista. Um frigorífico (sempre abastecido de minis). Um leitor de CD. Uma televisão. E está feita a descrição. O resto são sensações. Acolhedor de dia. Lúgubre à noite. Um magnífico pôr-do-Sol. Uma escuridão temerosa. E aquela constante brisa do mar.

Para completar o cenário faltam as piadas de Ricardo Cabral. Ora são anedotas, ora trocadilhos inventados no momento. Uns atrás dos outros. Ricardo acorda e, enquanto arruma o sono e prepara o pequeno almoço já está disperto para fazer rir. Sandro acompanha soltando sorrisos.

Quando têm visitas (o que só pode acontecer com autorização do Parque Natural da Madeira) trajam como manda a entidade patronal. Sempre que a única presença humana são eles vestem-se como a natureza determina. Quentes no frio. Frescos quando os abrasadores ventos de África trazem as areias do Deserto do Sahara.

As duas ilhas pertencem à “Rede Natura 2000”, ou seja, são zonas onde se está obrigado a conservar os habitat e as espécies selvagens. As Selvagens são um paraíso de nidificação para as aves marinhas. A Pequena está, por agora, cheia de ninhos dos Calcamares.

É uma ave que voa calcando o mar. Endémica da Macaronésia, o Calcamar nidifica em solos arenosos onde escava profundos ninhos. O chão da Pequena foi tomado pelos Calcamares. Sair dos poucos trilhos que existem é, muito provavelmente, esmagar alguns ovos com os pés. Tal como as outras aves marinhas, o Calcamar coloca um único ovo e o juvenil só se reproduz pela primeira vez vários anos depois.

As aves não estão sozinhas. O homem está. Na Selvagem Pequena ainda mais que na Grande. Mas da Grande prometo contar-vos tudo em breve.

publicado por Pedro Quartin Graça às 20:07 | link do post | comentar

Portal Ambiente e Planeta Azul


Um dia no NRP Almirante Gago Coutinho



2010-06-18

Depois de vários dias a navegar no Creoula, a imponência quase bélica do NRP Almirante Gago Coutinho impressiona. O veleiro, mais silencioso e com um convés amplo, contrasta com este navio, já que a vida da guarnição e dos cientistas é feita maioritariamente dentro do barco. 
No primeiro piso, fazem-se os preparativos para o lançamento do ROV Luso, um aparelho que está a ser testado pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) e que serve para filmar e recolher amostras do fundo do mar, até uma profundidade de seis mil metros. Aqui, ao largo das Selvagens, o aparelho só terá de descer até aos dois mil, que é a profundidade da zona. 
Depois de alguns testes feitos na noite anterior, o ROV Luso está quase pronto a submergir. Para além dos técnicos que coordenam a submersão do aparelho, que desce a uma velocidade de 1000 metros em cada hora, há uma sala de controlo, na qual os cientistas vão observando as profundezas através da câmara e fazendo censos.
Manuel Pinto de Abreu, o chefe da EMEPC e comandante reformado da Marinha, está de atenções viradas para o aparelho, tão importante para o meio científico e para a divulgação do trabalho da estrutura. Fala constantemente através do intercomunicador e, apesar da aparente serenidade, é possível vislumbrar alguma ânsia para que tudo corra conforme previsto.
Para além do ROV Luso, há ainda mais dois ROV que irão filmar a menos profundidade, bem longe das zonas onde os mergulhadores do Creoula fazem as raspagens e recolhas todos os dias, através de mais de uma vintena de biólogos e três especialistas em mergulho, cujo trabalho é manter a segurança e os procedimentos dos mergulhadores.
Autor / Fonte
Diana Catarino
publicado por Pedro Quartin Graça às 15:28 | link do post | comentar
Quinta-feira, 17.06.10

A SIC nas Ilhas Selvagens

gago coutinho
SIC

Publicação: 17-06-2010 

Admirável mundo novo

Catarina Neves Jornalista

SIC acompanha grupo de cientistas durante 20 dias

Será possível aos 10 anos de idade estar completamente apaixonado pelo mar? Aos 12 decidir que quando for grande quer ser biólogo marinho? E aos 19 achar que mergulhar é muito mais interessante que continuar a descobrir o que existe à superfície, em terra? 

Para Francisco Fernandes a resposta a estas três perguntas é só uma: sim, com um enorme ponto de exclamação no fim. 

É certo que o rio Tejo o viu nascer, mas nada nem ninguém na família podia prever esta prematura e tão determinada entrega ao mar. Já menos surpreendente foi a decisão de estudar Biologia Marinha, na Universidade do Algarve. 

Francisco Fernandes entrou no curso com média de 18 valores. Um bom aluno que vê em perigo a conclusão do primeiro ano, pelo menos por agora. 
É que não se pode estar em dois locais ao mesmo tempo e Francisco passou a última semana ao largo das ilhas Selvagens, a acompanhar os trabalho de alguns dos cientistas envolvidos na missão organizada pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma continental. 

Foi um dos três alunos de licenciatura a bordo da caravela Vera Cruz, uma das três embarcações que participam naquela que é a maior expedição científica portuguesa de sempre. 

Para estar nas Selvagens, Francisco teve de faltar a alguns exames da faculdade, mas garante que não podia estar mais satisfeito. 

Impressionou-se com a forma como tantos cientistas se organizam, por exemplo, para fazer dois mergulhos diários, ao longo de quase um mês. Adorou mergulhar e contribuir para o retrato da biodiversidade daquela zona. “É uma experiência que talvez não volte a repetir”, diz. 

Francisco faz parte daquele grupo de jovens que respira vontade de crescer, mas lida mal com o ritmo da aprendizagem académica. Fala das algas e dos peixes como se tivesse nascido no meio deles. 

“Eu fui feito para estar no mar”, confessa e lá lhe foge mais um sorriso transparente como a água salgada que tanto lhe alimenta os dias. 

Está de regresso a Lisboa e a nossa breve conversa termina com uma frase pouco original, mas muito importante para todos os que, como Francisco, admiram o novo mundo: “sabemos mais da superfície da lua do que do fundo do mar”.

publicado por Pedro Quartin Graça às 23:58 | link do post | comentar

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publicado por Pedro Quartin Graça às 19:57 | link do post | comentar
Bem-vindo ao Blog “Ilhas Selvagens”! Este é um espaço dedicado à divulgação das Ilhas Selvagens, subarquipélago da Madeira, o extremo mais a sul do território nacional. Uma janela aberta ao mundo e um retrato da zona mais desconhecida de Portugal. Entre e explore as ilhas!

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