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Sábado, 19.06.10

A SIC nas Ilhas Selvagens

parque
SIC

19-06-2010 

Sozinhos na ilha

Catarina NevesJornalista

MISSÃO NAS ILHAS SELVAGENS

SIC acompanha grupo de cientistas durante 20 dias

Estão sempre dois. Dois vigilantes numa ilha do tamanho de 20 campos de futebol. A Selvagem Pequena só é habitada no Verão. No Inverno não se consegue desembarcar numa das duas ilhas oceânicas mais a Sul de Portugal.

Sandro Correia e Ricardo Cabral são vigilantes do Parque Natural da Madeira. Fizeram o curso juntos. Nove anos depois voltam a encontrar-se no trabalho e isso deixa-os muito satisfeitos.

Sandro Correia tem 32 anos. Há quem lhe chame o Chuck Norris das Selvagens. Os olhos azuis escondem um homem reservado, de poucas falas, mas pronto a disparar sorrisos com a suavidade que o isolamento desejado adocica. Sandro gosta de estar três semanas sem telemóvel, sem internet, sem jornais, fechado na ilha. A televisão liga-os ao mundo. O botão "on/off" do aparelho tem aqui uma importância diferente. Tudo é diferente aqui.

As comunicações fazem-se via rádio com a Selvagem Grande. Caso falhe e os vigilantes estejam com problemas, o farol do Pico do Veado é tapado (trata-se do ponto mais alto da ilha, com 49 metros de altitude). Será a última tentativa de enviar um SOS.

Água canalizada potável não há. Casa de banho também não. A electricidade é produzida por painéis solares. O lixo é levado pelo barco patrulha. E até a barba é feita num espelho redondo e partido colocado numa das paredes de madeira da única infra-estrutura que existe na Selvagem Pequena: a casa dos vigilantes. 

É impossível não querer espreitar. Duas camas individuais encostadas à parede. Uma cozinha pequena. Um balcão. Algumas prateleiras. Loiças e tachos à vista. Um frigorífico (sempre abastecido de minis). Um leitor de CD. Uma televisão. E está feita a descrição. O resto são sensações. Acolhedor de dia. Lúgubre à noite. Um magnífico pôr-do-Sol. Uma escuridão temerosa. E aquela constante brisa do mar.

Para completar o cenário faltam as piadas de Ricardo Cabral. Ora são anedotas, ora trocadilhos inventados no momento. Uns atrás dos outros. Ricardo acorda e, enquanto arruma o sono e prepara o pequeno almoço já está disperto para fazer rir. Sandro acompanha soltando sorrisos.

Quando têm visitas (o que só pode acontecer com autorização do Parque Natural da Madeira) trajam como manda a entidade patronal. Sempre que a única presença humana são eles vestem-se como a natureza determina. Quentes no frio. Frescos quando os abrasadores ventos de África trazem as areias do Deserto do Sahara.

As duas ilhas pertencem à “Rede Natura 2000”, ou seja, são zonas onde se está obrigado a conservar os habitat e as espécies selvagens. As Selvagens são um paraíso de nidificação para as aves marinhas. A Pequena está, por agora, cheia de ninhos dos Calcamares.

É uma ave que voa calcando o mar. Endémica da Macaronésia, o Calcamar nidifica em solos arenosos onde escava profundos ninhos. O chão da Pequena foi tomado pelos Calcamares. Sair dos poucos trilhos que existem é, muito provavelmente, esmagar alguns ovos com os pés. Tal como as outras aves marinhas, o Calcamar coloca um único ovo e o juvenil só se reproduz pela primeira vez vários anos depois.

As aves não estão sozinhas. O homem está. Na Selvagem Pequena ainda mais que na Grande. Mas da Grande prometo contar-vos tudo em breve.

publicado por Pedro Quartin Graça às 20:07 | link do post | comentar
Bem-vindo ao Blog “Ilhas Selvagens”! Este é um espaço dedicado à divulgação das Ilhas Selvagens, subarquipélago da Madeira, o extremo mais a sul do território nacional. Uma janela aberta ao mundo e um retrato da zona mais desconhecida de Portugal. Entre e explore as ilhas!

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