Estudo do fundo do mar posiciona Selvagens no GPS


Projecto entre Marinha e Governo permite 'ligar' estas ilhas à Madeira e Porto Santo


A estrutura do fundo do mar de uma extensa área (70x70 Km) das Ilhas Selvagens está a ser estudada, através de um sistema GPS, que permitirá saber, em concreto, qual a real ligação entre estas e as ilhas da Madeira e também do Porto Santo. Para dar continuidade ao projecto foi ontem assinado um protocolo e um acordo entre o Instituto Hidrográfico (IH) da Marina Portuguesa e a Direcção Regional de Informação Geografia e Ordenamento do Território (DRIGOT).
O protocolo de cooperação e o acordo bilateral para a área comercial foram assinados pelos responsáveis das duas entidades, numa cerimónia a bordo do navio 'NRP Almirante Gago Coutinho, atracado no cais norte do Porto do Funchal, contando com a presença de várias instituições militares e civis, entre as quais o secretário regional do Equipamento Social.
Santos Costa aproveitou para assinalar a importância que o protocolo tem para a Região, fruto de uma colaboração que já vem sendo desenvolvida entre o IH e a DRIGOT, no âmbito das competências que o Governo tem no litoral. "Permite-nos conhecer os fundos marítimos que envolvem as ilhas do arquipélago, em especial com a colocação de GPS (Sistema de Posicionamento Global) nas Selvagens, que até agora não existiam", realça. "É, para mim, o aspecto mais significativo do protocolo, para além da continuidade de colaborações futuras, pois neste momento uma equipa da DRIGOT está a colocar uma antena GPS na Selvagem Grande, permitindo que aquele território fique geo-referenciado de forma rigorosa, a nível internacional, como fazendo parte da Região Autónoma da Madeira e de Portugal", conclui.
O trabalho que a 'NRP Almirante Gago Coutinho' fez ao longo de 11 dias no mar das Selvagens permitiu a colocação de oito estações GPS (cinco na Selvagem Grande, e outras três na Selvagem Pequena, Madeira e Porto Santo, respectivamente), permitirá observar 24 horas seguidas os fundos marinhos, altitudes das rochas submersas (existem muitos mais do que as conhecidas pelas antigas cartas marítimas).
A missão de investigação de cariz científico que este navio da Marinha Portuguesa tem realizado já acumulou 888 dias de mar e sondou uma área de 1.700.000 Km2, equivalente à Zona Económica Exclusiva portuguesa. A tripulação do 'Gago Coutinho' é composta por 34 marinheiros e ainda tem espaço para receber até 15 investigadores, numa autonomia de mar de 60 dias.
publicado por Pedro Quartin Graça às 09:01 | link do post | comentar