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Maior expedição portuguesa de sempre chega às Selvagens em Junho

2010-06-07
São mais de 70 os cientistas que se preparam para embarcar na maior expedição alguma vez realizada em Portugal. A missão, que começa no dia 8 e termina em 30 de Junho, tem como alvo as Ilhas Selvagens, ao largo da Madeira e está a cargo da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) e do programaM@RBIS (Sistema de Informação para a Biodiversidade Marinha).

O grupo About Media vai acompanhar esta aventura com apontamentos de reportagem diária para os portais PlanetAzul e AmbienteOnline, sendo que o jornalÁgua&Ambiente terá um espaço dedicado à grande reportagem da expedição, na sua edição de Agosto.

Segundo Manuel Pinto de Abreu, chefe de Missão da EMEPC, o primeiro objectivo da expedição é a extensão da plataforma continental, numa altura em que Portugal aguarda a resposta da Organização das Nações Unidas às pretensões portuguesas de aumentar a plataforma continental para mais de dois milhões de km2, decisão que se esperaque seja tomada em 2013 ou 2014.

Neste âmbito, o responsável sulinha que há dois aspectos a ter em conta: é fundamental a parte da redefinição da linha de costa e a recolha de amostras geológicas para estudar a unidade global do território imerso. «Temos também a parte do M@RBIS, na qual vamos fazer um teste ao sistema de informação em si mesmo e, ao mesmo tempo, criar metodologia de recolha de informação», acrescenta.

Selvagens têm mais de 500 anos
Descobertas em 1483 por Diogo Gomes, as Selvagens mantiveram-se na posse de famílias portuguesas desde o século XVI até serem adquiridas pelo Estado no século XX, sendo classificadas como Reserva Natural da Ilhas Selvagens.

Os tempos de crise não impediram a realização da expedição, mas, ainda assim, está a ser preparada com os recursos mínimos necessários para viabilizar uma missão deste género. Com efeito, a maior parte do equipamento já pertencia à Estrutura de Missão e os cientistas e entidades que irão participar foram convidados a trazer o seu equipamento. No fundo, foi apenas necessário comprar apenas as ligações aos equipamentos e os patrocínios equilibraram os custos operacionais de toda a expedição.
Para além dos cientistas, uma equipa da universidade do Porto estará a bordo a preparar documentários que irão servir, por um lado, para produzir documentários de divulgação e, por outro, para ajudar a constituir uma plataforma para estudo, que permite a edição e anotação de imagens.

Professores e alunos também aceitaram o convite e não são mais porque nem a logística nem a época de exames o permite. «Todos os núcleos de investigação querem ir ao mar, não há tantas oportunidades como isso, já que é um conjunto de trabalhos muito grande e é um período de tempo relativamente longo. Isto mostra a aceitação que a EMEPC tem ao nível da comunidade científica, talvez fruto da nossa postura: o que podemos partilhar, ajudar e dar, fazemo-lo», defende o chefe de missão.
Autor / Fonte
Diana Catarino
publicado por Pedro Quartin Graça às 10:28 | link do post