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Reciclar é palavra de ordem no Creoula


2010-06-14 - Diana Catarino


Apesar de ser uma prática comum e transversal à maioria dos navios, a verdade é que quanto maiores são as missões, mais fundamental se torna a separação dos lixos. No nosso caso, a bordo do Creoula, numa missão de 23 dias, a experiência é pioneira e mesmo os marinheiros aguardam o teste de três ou quatro dias para perceber se será necessário fazer algum racionamento, por exemplo, no papel, para que se produza cada vez menos lixo a bordo.
O primeiro-sargento T.F. Paulino, dispenseiro do Creoula, é o responsável pela separação dos resíduos e dos sacos de duzentos litros que estão arrumados na cozinha. São três os recipientes usados na separação: um para vidro, outro para plástico e latas e um de lixo orgânico, sendo que a separação do cartão é feita através da compactação manual, não necessitando de recipiente próprio.
Quando o navio vai em trânsito, o lixo orgânico é o único que é deitado fora, até porque a decomposição dos resíduos tornaria a estadia no navio quase impossível, devido aos odores. «Não é fácil gerir o lixo de 90 pessoas, mais a mais quando falamos de uma missão que durará 23 dias. Ainda não se fez, neste navio, tantos dias seguidos no mar, não vai ser muito fácil», admite o responsável.
Sensibilizar parece ser a melhor opção, pelo menos para já. «É necessário educar toda a gente para que possamos fazer o mínimo de lixo possível», adianta o primeiro-sargento, acrescentando que os embarcadiços já estão a produzir menos resíduos do que a quantidade produzida durante o tempo que o Creoula esteve atracado no Porto do Funchal, na Madeira.
A maior preocupação da guarnição é com o vidro, já que não há nenhum triturador a bordo. Já para plástico e metal, o compactador encarrega-se de facilitar a tarefa aos marinheiros. Quando o barco fundear nas Selvagens, haverá um navio que abastecerá o Creoula com comida, e a guarnição espera que nessa altura seja possível enviar pelo menos alguns dos resíduos produzidos a bordo.
publicado por Pedro Quartin Graça às 08:43 | link do post